Tiempo

Relendo algumas coisas dos meus quase seis antigos blogues, percebi que desaprendi a escrever.

As estratégias do homem cordial

No ano passado fiz minha primeira vistoria anual de licenciamento. Fui por volta do meio dia, vestindo uma roupa casual: jeans, camiseta, tênis. Entrei no posto especializado e, depois de ficar alguns minutos em uma fila de carros, fui encaminhado a um dos guichês de inspeção. Um ser humano malhado, com uma camisa dois números menor que o seu corpo, jovem e com o cabelo raspado me recebeu. Olhou meu carro milimetricamente: buzina, faróis, pneus, extintor etc. Pediu que eu retirasse o step da mala e, com um olhar clínico, disse que meus pneus estavam gastos além do limite. Que limite? Gastos quanto? O sulco da borracha estava comido, disse, com uma autoridade não revelada nos músculos que saltavam a roupa vestida como um abadá.

“Você tem cinco dias para comprar dois pneus novos e voltar aqui”, sentenciou. Anh? Cinco dias? Dois pneus? Sabe quanto custam dois pneus? Não teve jeito. Dois pneus seriam minha obsessão naquela semana de abril. A minha frustração de ter sido reprovado foi compartilhada com um punhado de outras pessoas. Um senhor criticava os fiscais. “Está vendo ali? Nem olhou a mala do carro. Nem pediu para ver o extintor! Que absurdo!”. Era verdade. Nos meus bons quinze minutos de penitência, observei que o inspetor fazia vista grossa com: a) engravatados; b) loiras siliconadas; c) malandros em picapes. Eu, jovem, magrinho, vestindo camiseta e tênis não me enquadrava nos critérios estabelecidos.

Hoje a coisa mudou. Como não me enquadrava no quesito “loira siliconada” e nem tenho uma picape, o jeito foi parecer um homem de negócios. Vesti-me mais ou menos conforme manda o figurino: camisa social de botão, calça social, sapatos. Até arrumei o cabelo! Às 8h, com uma pontualidade britânica – os britânicos provavelmente se vestem melhor do que eu – cheguei. Mesmo roteiro, fila de carros, calor dos trópicos, guichê de número ímpar. Dessa vez não encontrei meu amigo da academia, mas um inspetor sem nada especial. Não era feio, não era bonito, não vestia nada que indicasse um possível gosto por micaretas. Melhor assim.

Na minha frente estava um garotão com… Camiseta e tênis. Não deu outra, até o detalhe do macaco do carro dele foi vistoriado. Em seguida foi a minha vez. O cidadão me olhou de cima a baixo, apertou minha mão e pediu gentilmente para ligar as setas e os faróis. Depois, fingiu que viu meus pneus e pronto. Não viu buzina, macaco, triângulo, mala, capô, nada! “Está liberado, pode pegar o novo documento, senhor”. Senhor! Eu fico pensando, e se eu fosse uma loira siliconada vestindo um blazer e estivesse numa picape?

As coisas maravilhosas da vida

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G1

Ainda não consegui entender o privilégio de ver uma das maiores bandas do século XX, na minha frente, fazendo um apanhado geral da carreira e sendo acompanhada, em uníssono, por uma massa hipnotizada de 20 mil pessoas.

Foi daquelas coisas maravilhosas da vida. Me senti pequenininho.

Estou meio retardado nesse sábado pós-show, não consegui fazer absolutamente nada que não ouvir e reouvir as músicas de ontem. E tudo isso com um sorriso estupidamente bobo, de meia boca, e uma sensação estranhíssima de felicidade.

Frases

Dia desses, andando por Copacabana, vejo um garoto ameaçando o outro com o seguinte: “muleque, se tu não parar com isso vou te dar um choque de ordem”.

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Tem tudo para virar gíria.

siempre que te pregunto…

Itamaraty

http://www.senado.gov.br/tv/programas/diplomacia/2009/fevereiro.html

Dinossauro semi-feudal

The Economist

JOSÉ SARNEY first ran for elected office over half a century ago. For the past 40 years he has controlled the fortunes of Maranhão, a state on the eastern fringe of Brazil’s Amazon region. He has represented it as federal deputy (twice), governor, and senator (twice). In 1985 he became the accidental, and undistinguished, president of Brazil when the man chosen for the job died before he could take it up. More recently he has been senator for the nearby and newly-created state of Amapá (twice). Time to retire, one might think.