Todas as vezes que eu assisto vídeos do conflito no Oriente Médio entre Israel e Hamas, eu lembro de uma cena do seriado A Sete Palmos, especificamente aquela em que a mãe, desesperada com a morte precoce do marido, se joga sobre o caixão de seu esposo e começa a chorar copiosamente. Um dos filhos, mente aberta, viajante do mundo e desprendido das convenções sociais, afirma que o gesto é semelhante ao das mulheres sicilianas que choram a morte de seus entes queridos. Diz que aquilo é bonito e que as mulheres ocidentais privam-se de externalizar a dor que sentem pelas convenções sociais. Velam o corpo dos parentes em silêncio, absorvem o sofrimento.
Hoje, no décimo primeiro dia de combates, lembrei da cena ao assistir esse vídeo do New York Times, que comenta a ofensiva por terra das tropas israelenses. Aos 47 segundos de vídeo, uma mulher bate palmas e bate no peito esburacado de um provável familiar. Nesta terça-feira, 30 pessoas morreram em um ataque próximo a uma escola palestina, a maioria das pessoas sem nenhuma ligação com o grupo que luta pela causa palestina.
Como diz a própria reportagem do New York Times, Israeli’s calculation became a bit looser.



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