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Melhores 15 discos de 2008

Dezembro 22, 2008 · Deixe um comentário

Como não podia deixar de ser, também me rendo às cretinas listas de melhores do ano. Ouvi cerca de 70 discos e, incrivelmente, não achei nenhum realmente espetacular. Não sei se enjoei da maioria das novas “bandas salvadoras do rock” que surgem toda semana, segundo a NME e o Pitchfork, ou se o ano foi mesmo ruim em termos musicais. Achei 2007 melhor. Nos links acima, as listas das duas publicações.

De qualquer forma, ainda preciso escutar algumas coisas que tenho em mente e outras que provavelmente verei assim que tiver disposição para procurar. Vocês, meus três leitores, podem me indicar o que não tiver sido listado.

Não, obrigado

Hypados, comentados, integrantes de listas mundo afora, mas que, por mim, podem ficar só por lá mesmo. Não consigo aguentar o Portishead. Lembro que o Nine Inch Nails trouxe o novo disco com um estardalhaço tremendo, mas barulho de vento e bases chapadas tem muita banda que faz melhor.

O MGTM, além de ter feito um disco sem a menor graça, ainda fez um show fraco. Ao menos aqui no Rio, a banda estava visivelmente desconfortável no palco e as dancinhas afetadas dos músicos acaboaram não colaborando.

The Hold Steady – Stay Positive
M83 – Saturdays = Youth
Portishead – Third
Coldplay – Viva la Vida or Death and All His Friends
Nine Inch Nails – Ghosts I-IV
MGMT – Oracular spectacular
Last Shadow Puppets – The Age

Quase lá

Por pouco não entrou o disco do This Will Destroy You, mais uma banda do Texas, capital americana do post-rock. Caldera fez o disco pesado do ano, trazendo os melhores momentos do Black Sabbath à cabeça. Los Alamos é a única menção sul-americana do ano, grupo de “narco-country”, como eles mesmo brincam, que tocou no Brasil no ano passado. O disco do Metallica causou certo impacto inicial, mas perdeu força ao longo do tempo. Sairia fácil desse grupo.

This Will Destroy You – This Will Destroy You
Caldera – Mist Through Your Consciousness
Minus The Bear – They Make Beer Comercials Like This
Nick Cave and the Bad Seeds – The Bad Seeds
Mogwai – The Hawk Is Howling
Commodor – Driving Out Of Focus
Los Alamos – El Fino Arte de La Venganza
Bonnie “Prince” Billy – Lie Down in the Light
Metallica – Death Magnetic
*Sonic Youth – Hits Are For Squares (coletânea)

Top 15 – 2008
Pelo que vejo nas listas do povo, fui o único que achou o novo do Death Cab For Cutie digno. Concordo que não seja a melhor coisa do mundo, mas acho que a banda manteve bem que vinha fazendo anteriormente. Fleet Foxes, apesar de ser um trabalho que impressiona à primeira vista, fica sendo um bom disco de folk rock. Só. Nomo, banda que não vi em nenhuma das listas, faz uma bela fusão de percussão, saxofone, trompete, Funkadelic, Fela Kuti e jazz. Já foi citado – e bem citada – em todas as grandes revistas do mercado fonográfico.

O disco do A Silver Mount Zion é memorável, mas talvez pela banda de Montreal fazer um som muito pouco acessível (um folk/post-rock/experimental estranhamente bonito) ganhe visibilidade equivalente. Vampire Weekend é a revelação do ano. O disco é viciante, conciso, direto. Cut Copy, apesar de toda a afetação e de uma birra inicial da minha parte, fez um disco divertidíssimo e dos mais empolgantes que já ouvi nesse finado 2008. R.E.M brindou os fãs com uma espécie de re-edição do Murmur. Deixei de ir no show por besteira e ouvi de muita gente que foi o melhor do ano. Quanto ao Modern Guilt, é o renascimento do Beck.

Deerhunter mostrou maturidade suficiente para fazer o melhor disco de toda a carreira, muito, muito melhor que todos os que fizeram até agora. Por último, TV On The Radio… Bom, quem não ouviu, corra atrás. Considero o melhor, indiscutivelmente.

15 – No Age – Nouns

14 – Consolers of the Lonely – The Raconteurs

13 – Með suð í eyrum við spilum endalaust – Sigur Rós

12 – Ghost Rock – Nomo

11 – Only By The Night – Kings Of Leon

10 – Narrow Stairs – Death Cab For Cutie

9 – At Mount Zoomer – Wolf Parade

8 – Fleet Foxes – Fleet Foxes

7 – In Ghost Colours – Cut Copy

6 – 13 Blues for Thirteen Moons – A Silver Mount Zion

5 – Accelerate – R.E.M

4 – Vampire Weekend – Vampire Weekend

3 – Microcastle / Weird Era Cont. – Deerhunter

2 – Modern Guilt – Beck

1 – TV On The Radio – Dear Science

Sobre shows, segue uma listinha dos cinco que mais gostei.
G1
The National fez uma apresentação das mais memoráveis que vi em muito tempo. Comparável ao Franz Ferdinand no Circo Voador, se colocarmos as duas bandas em proporção equivalente (não vou comparar com a parafernália do Rolling Stones, né?).

A reduzida platéia que mandou o Kayne West pra o mais longe possível teve a oportunidade de ver a banda de Nova Iorque com violino, clarinetes, trombones e os gritos e urros de Matt Berninger em uma apresentação incomparável. Fora o fato que o cara é gente boa. Em rápida conversa no saguão do festival, conversei com ele sobre Obama, Mr. November, rock nova-iorquino e outras coisas.

O show do God Is An Astronaut foi marcante pelas circunstâncias. Frio de dois graus negativos, sozinho em uma cidade estranha e uma casa de shows em plena Chinatown. Mais aqui.

1 – The National, Tim Festival
2 – God Is An Astronaut, Knitting Factory, Nova Iorque
3 – Herbie Hancock, Vivo Rio
4 – Interpol, Fundição Progresso
5 – Bob Dylan, Rio Arena

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Cola velcro

Dezembro 5, 2008 · Deixe um comentário

“Também Sou Hype” com influências do Expressionismo alemão, Stanley Kubrick, passando por indie rrrock meu.

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Herbie Hancock conquista platéia do Rio de Janeiro

Junho 20, 2008 · Deixe um comentário

RIO DE JANEIRO – Era fácil observar que a grande maioria dos que foram ao Vivo Rio na noite desta terça-feira e se dispuseram a pagar ingressos com preços variando entre R$ 200 e R$ 400 não fazia idéia de quem era Herbie Hancock. Praticamente lotada, a casa de shows do Aterro do Flamengo, na zona sul, se encheu de curiosos para saber quem foi o vencedor do Grammy de melhor disco deste ano. Muitos dos presentes esperavam um pianista de jazz tradicional, mas o termo não tem sentido quando se fala em Hancock, que ganhou o prêmio no mês de fevereiro pelo álbum “River: The Joni Letters”, desbancando a concorrente Amy Winehouse.

O prêmio foi recebido com espanto por Hancock, pois desde 1964, quando o saxofonista Stan Getz levou o Grammy de melhor álbum por seu trabalho ao lado de João Gilberto no clássico “Getz/Gilberto”, nenhum outro músico de jazz havia conseguido vencer nessa categoria. Na ocasião, Herbie Hancock agracedeu a coragem da academia e disse que a vitória serviria como uma homenagem para os mestres Miles Davis e John Coltrane.

Vestindo um paletó preto que cobria uma camiseta estampada com o cavalinho da Ferrari, o pianista e compositor subiu ao palco sem dizer uma única palavra. Depois de um tímido sorriso, sentou ao piano e iniciou a apresentação homenageando o saxofonista e amigo Wayne Shorter com uma releitura da clássica “Footprints”, composta no tempo em que os dois faziam parte de uma das mais importantes reuniões musicais de todos os tempos, o Miles Davis Quintet, que contava ainda com o baixista Ron Carter e Tony Williams na bateria.

Aos olhos atônitos da platéia, o quarteto de Hancock – composto por baixo, bateria, piano e guitarra – recriava “Footprints” com uma levada baseada nos sintetizadores de Herbie, uma das marcas registradas do pianista, que demonstrava aos curiosos que de “tradicional” não tinha nada.

Sorrindo muito, o músico brincava com os outros integrantes do quarteto, que emendou “Actual Proof”, do álbum Thrust (1974), na seqüência. “It’s a crazy song!” (uma música louca!), disse o pianista, após sua execução. Com o microfone na mão, brincou com a platéia, comentou que tocava com uma banda maluca e lembrou que veio ao Rio de Janeiro pela primeira vez em 1968, para passar sua lua-de-mel. “Estou muito feliz de estar novamente no Brasil em 40 anos”, disse Hancock, que aparentemente se esqueceu da apresentação que fez no Tim Festival, em 2006.

O teclado-guitarra

Após brincar com o excelente guitarrista Lionel Loueke, nascido em Benin, na África, Hancock anunciaria uma nova e criativa versão, com 17 complicados compassos, de “Watermelon Man”, de seu álbum Head Hunters (1972). No Rio, como nos maiores festivais de jazz do mundo, Herbie largou o piano e foi à frente do palco com um teclado branco em forma de guitarra e “solou”, desafiando os outros músicos para ver quem fazia os acordes mais imprevisíveis.

Atônita no começo da noite, a platéia já batia palmas empolgada com a impressionante presença de palco do norte-americano e de seu grupo, que variava do groove ao free-jazz em segundos. Enquanto tocava o instrumento, chamado pela imprensa estrangeira de key-tar, ou teclado-guitarra em bom português (algo com a forma de uma gatorra, o bizarro aparato de Tony da Gatorra), não era incomum ver Hancock soltando sonoras gargalhadas. “Esta música é quase impossível!”, dizia.

As vocalizações do funk norte-americano dos anos 70 e do hard-bop também tiveram espaço no eclético set do quarteto, que fez uma revisão de “Stitched Up”, composição do cantor pop John Mayer, que fez turnê com Hancock em 2005. O vocal do baixista Nathan East acabaria por animar os presentes no Vivo Rio. A escolha da música é mais uma prova de que Hancock passeia pelos mais variados estilos, não se prendendo a amarras comuns a muitos músicos carimbados.

River: The Joni Letters

Eis que o que muita gente esperava ou achava esperar, viria logo em seguida com duas músicas do novo trabalho. No álbum ganhador do Grammy (ele já levou outros 12, em categorias diferentes), Hancock homenageia a cantora e compositora canadense Joni Mitchell, que tocou ao lado de nomes de peso como Rolling Stones, Jimi Hendrix e o próprio Herbie.

Como não trouxe Norah Jones ou Tina Turner, com quem gravou o disco vencedor do Grammy, que também conta com a voz de Leonard Cohen, Herbie convocou ao palco a norte-americana Sonia Kitchell, que cantou “River” e “All I Want”. Durante a participação da cantora, a platéia, com razão, acabou ficando um pouco sonolenta.

Mas o incômodo foi quebrado logo com um meddley solo do guitarrista de Benin, considerado uma das grandes revelações dos últimos anos. Loueke cantava em seu idioma natal e abusava dos tappings, técnica de tocar a guitarra com uma ou duas mãos, criando notas de escala em alta velocidade. “Ele é uma maravilhosa sopa internacional de música”, definiu Hancock, que faria um belo solo de piano na seqüência.

O grande momento da noite

Foi no final da noite que a festa alcançou seu ponto máximo. Sem querer entregar o ouro de bandeja, Hancock escolheu, para depois de quase uma hora e meia de show, duas pérolas: “Cantaloupe Island”, do álbum Empyrean Isles (1964) e “Chameleon”, do Head Hunters (1973).

Na primeira música, de um dos LPs de jazz mais influentes dos anos 60 (período em que gravaria seu primeiro trabalho para o cinema, a trilha sonora de Blowup, de Michelangelo Antonioni) e recriada inúmeras vezes, uma delas pelo grupo US3, que mescla jazz e rap, Hancock mostraria, com intensos sorrisos, a inventividade do jazz. O pianista estava tão feliz que mais parecia uma criança experimentando um brinquedo novo.

Já “Chameleon”, com sua inigualável linha de baixo funkeada e a bateria quebrada de Vinnie Colaiuta, levantou parte da platéia, que transformou o Vivo Rio em uma pista de dança. Tendo o nome retirado de uma música do camaleônico Frank Zappa, “Chameleon” fechou a noite da melhor forma possível e, com toda a certeza, quem foi ver o “vencedor do Grammy”, saiu com muito mais do que isso.

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Manu Chao sabe das coisas

Março 30, 2008 · 1 Comentário

Depois de convencer meus pais que não sofreria nenhum atentado terrorista ou seria sequestrado, saí do hotel por volta das 22h30. Estava bastante atrasado e não tinha comido nada desde às 13h. Já dominava o sistema de metrô local, mas durante a noite a coisa muda um pouco de figura, trens que vêm deixam de vir, linhas que normalmente não páram resolvem parar e as estações ficam apinhadas de gente não muito bonita. Gastos 4 dólares num suco de laranja (acredito que o mais caro de toda a minha vida), desci na 51st Station, numa esquina da Lexington Avenue. Na estação, muitas jovens maquiadas, vestindo roupas aparentemente caras, prontas para mais uma noite, dividindo espaço com negros trajando calças largas, bonés de hip hop e pesados anéis em praticamente todos os dedos. Fiquei paradinho ali, com meu chapéu de Manu Chao, comprado no dia anterior. Era horrível, realmente grotesco, mas protegia do frio e evitava que minha sinusite evoluísse para uma pneumonia. Além disso, me dava uma aparência de mendigo caucasiano, o que veio a calhar, pois ninguém mexeria comigo. E ninguém mexeu. Depois de uns 25 minutos e outros 25 dentro do trem, pane elétrica no vagão. Que beleza. Cerca de 80 pessoas apertadas em um espaço mínimo, morrendo de calor, todas com casacos maiores que a vida, esperando que a composição se movesse. Pelos vidros engordurados, duas paredes de pedra, pixadas, uma em cada lado. Se Hitchcock quisesse, faria algumas belas cenas por ali. Até Michael Bay (quem sabe não apareceriam baratas gigantes?) tiraria alguns momentos da situação. Enquanto isso, os funcionários do metrô insistiam pelo microfone que qualquer ação suspeita ou pacote abandonado deveria ser relatado às autoridades competentes.

Alguma demora depois, cheguei na Canal Street Station, entre a Tribeca e o folclórico bairro de Chinatown, e encontrei o Knitting Factory, local do show que fez eu me deslocar algo como 40 quilômetros rumo ao desconhecido naquela noite. Na porta do bar, um carro de polícia com a sirene ligada e um adolescente que falava espanhol sendo carregado, bêbado, por duas jovens saídas de A Noite dos Mortos Vivos, clássico de terror do Romero. Me enrolei para encontrar o passaporte, mas acabei comprovando que era maior de 21 anos e ganhei uma pulserinha verde, o que me dava direito a beber no local. Os músicos do God Is An Astronaut, banda irlandesa de post-rock (isso de post-rock rende um post a parte) felizmente ainda não tinham começado o show e uns roqueiros de Massachusetts estavam no palco fazendo um barulho qualquer enquanto espancavam as guitarras. Irepress o nome do negócio. Enquanto eles tocavam, resolvi explorar o lugar. E como estava num pub, a situação pedia uma Guiness (US$ 7!). A vida noturna nova-iorquina, ao menos nesse dia, se mostrou muito interessante. Em se tratando de um show de rock desconhecido e bizarro pra muita gente, o lugar estava cheio, graças a força de divulgação da internet, vide Myspace, Lastfm, Rateyourmusic e a programação cultural da cidade. Vários indianos ainda vestindo paletós conviviam harmoniosamente com a mais bem arrumada patricinha norte-americana. Não vi um beijo sequer, apenas casais de mãos dadas, juntos, mas já sabia dessa diferença cultural. Lá pelas 1h40, armam um telão e um projetor para a atração principal da noite. Com os instrumentos em punho, o power trio irlandês fez, como era de se esperar, um som maravilhoso, envolvente, cheio de camadas, denso. No telão, algumas imagens de Bush e outras de um chimpanzé sorrindo. Durante as músicas, acabei ficando amigo de um inglês, morador de Manchester, Gareth.

Ele me confessou que também estava sozinho por lá e que soube do show pela agenda de eventos Lastfm. Cabeça raspada e cara de nazista, ele se mostrou bastante simpático, revelou gostar de bandas que teoricamente pouquíssima gente gosta e contou que faz faculdade de Direito. Estava em Nova Iorque para visitar o pai e aproveitou para acompanhar o show, que o fazia se mover de trás para frente, como um grande João-bobo. Gareth disse que gostava de Manchester e que Leeds era uma cidade “dura”, para pessoas duronas, como nos filmes do DeNiro. Também aproveitou para dizer que odiava Londres e que a namorada dele era muito baixinha. No fim da conversa, enquanto caminhávamos até a Canal Street Station, em plena madrugada, frio assustador, disse que queria conhecer o Brasil. A temperatura beirava os -2, mas o gorro do Manu Chao me protegia. Depois de nos despedirmos, esperei cerca de 45 minutos pelo próximo trem. Na plataforma, cinco mexicanos que me encaravam e um americano arrumadinho que se esforçava para parecer mau – cuspia no chão, andava em círculos, fazia cara de revoltado.

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