Como não podia deixar de ser, também me rendo às cretinas listas de melhores do ano. Ouvi cerca de 70 discos e, incrivelmente, não achei nenhum realmente espetacular. Não sei se enjoei da maioria das novas “bandas salvadoras do rock” que surgem toda semana, segundo a NME e o Pitchfork, ou se o ano foi mesmo ruim em termos musicais. Achei 2007 melhor. Nos links acima, as listas das duas publicações.
De qualquer forma, ainda preciso escutar algumas coisas que tenho em mente e outras que provavelmente verei assim que tiver disposição para procurar. Vocês, meus três leitores, podem me indicar o que não tiver sido listado.
Não, obrigado

Hypados, comentados, integrantes de listas mundo afora, mas que, por mim, podem ficar só por lá mesmo. Não consigo aguentar o Portishead. Lembro que o Nine Inch Nails trouxe o novo disco com um estardalhaço tremendo, mas barulho de vento e bases chapadas tem muita banda que faz melhor.
O MGTM, além de ter feito um disco sem a menor graça, ainda fez um show fraco. Ao menos aqui no Rio, a banda estava visivelmente desconfortável no palco e as dancinhas afetadas dos músicos acaboaram não colaborando.
The Hold Steady – Stay Positive
M83 – Saturdays = Youth
Portishead – Third
Coldplay – Viva la Vida or Death and All His Friends
Nine Inch Nails – Ghosts I-IV
MGMT – Oracular spectacular
Last Shadow Puppets – The Age
Quase lá

Por pouco não entrou o disco do This Will Destroy You, mais uma banda do Texas, capital americana do post-rock. Caldera fez o disco pesado do ano, trazendo os melhores momentos do Black Sabbath à cabeça. Los Alamos é a única menção sul-americana do ano, grupo de “narco-country”, como eles mesmo brincam, que tocou no Brasil no ano passado. O disco do Metallica causou certo impacto inicial, mas perdeu força ao longo do tempo. Sairia fácil desse grupo.
This Will Destroy You – This Will Destroy You
Caldera – Mist Through Your Consciousness
Minus The Bear – They Make Beer Comercials Like This
Nick Cave and the Bad Seeds – The Bad Seeds
Mogwai – The Hawk Is Howling
Commodor – Driving Out Of Focus
Los Alamos – El Fino Arte de La Venganza
Bonnie “Prince” Billy – Lie Down in the Light
Metallica – Death Magnetic
*Sonic Youth – Hits Are For Squares (coletânea)
Top 15 – 2008
Pelo que vejo nas listas do povo, fui o único que achou o novo do Death Cab For Cutie digno. Concordo que não seja a melhor coisa do mundo, mas acho que a banda manteve bem que vinha fazendo anteriormente. Fleet Foxes, apesar de ser um trabalho que impressiona à primeira vista, fica sendo um bom disco de folk rock. Só. Nomo, banda que não vi em nenhuma das listas, faz uma bela fusão de percussão, saxofone, trompete, Funkadelic, Fela Kuti e jazz. Já foi citado – e bem citada – em todas as grandes revistas do mercado fonográfico.
O disco do A Silver Mount Zion é memorável, mas talvez pela banda de Montreal fazer um som muito pouco acessível (um folk/post-rock/experimental estranhamente bonito) ganhe visibilidade equivalente. Vampire Weekend é a revelação do ano. O disco é viciante, conciso, direto. Cut Copy, apesar de toda a afetação e de uma birra inicial da minha parte, fez um disco divertidíssimo e dos mais empolgantes que já ouvi nesse finado 2008. R.E.M brindou os fãs com uma espécie de re-edição do Murmur. Deixei de ir no show por besteira e ouvi de muita gente que foi o melhor do ano. Quanto ao Modern Guilt, é o renascimento do Beck.
Deerhunter mostrou maturidade suficiente para fazer o melhor disco de toda a carreira, muito, muito melhor que todos os que fizeram até agora. Por último, TV On The Radio… Bom, quem não ouviu, corra atrás. Considero o melhor, indiscutivelmente.
15 – No Age – Nouns

14 – Consolers of the Lonely – The Raconteurs

13 – Með suð í eyrum við spilum endalaust – Sigur Rós

12 – Ghost Rock – Nomo

11 – Only By The Night – Kings Of Leon

10 – Narrow Stairs – Death Cab For Cutie

9 – At Mount Zoomer – Wolf Parade

8 – Fleet Foxes – Fleet Foxes

7 – In Ghost Colours – Cut Copy

6 – 13 Blues for Thirteen Moons – A Silver Mount Zion

5 – Accelerate – R.E.M

4 – Vampire Weekend – Vampire Weekend

3 – Microcastle / Weird Era Cont. – Deerhunter

2 – Modern Guilt – Beck

1 – TV On The Radio – Dear Science

Sobre shows, segue uma listinha dos cinco que mais gostei.

The National fez uma apresentação das mais memoráveis que vi em muito tempo. Comparável ao Franz Ferdinand no Circo Voador, se colocarmos as duas bandas em proporção equivalente (não vou comparar com a parafernália do Rolling Stones, né?).
A reduzida platéia que mandou o Kayne West pra o mais longe possível teve a oportunidade de ver a banda de Nova Iorque com violino, clarinetes, trombones e os gritos e urros de Matt Berninger em uma apresentação incomparável. Fora o fato que o cara é gente boa. Em rápida conversa no saguão do festival, conversei com ele sobre Obama, Mr. November, rock nova-iorquino e outras coisas.
O show do God Is An Astronaut foi marcante pelas circunstâncias. Frio de dois graus negativos, sozinho em uma cidade estranha e uma casa de shows em plena Chinatown. Mais aqui.
1 – The National, Tim Festival
2 – God Is An Astronaut, Knitting Factory, Nova Iorque
3 – Herbie Hancock, Vivo Rio
4 – Interpol, Fundição Progresso
5 – Bob Dylan, Rio Arena
Aos olhos atônitos da platéia, o quarteto de Hancock – composto por baixo, bateria, piano e guitarra – recriava “Footprints” com uma levada baseada nos sintetizadores de Herbie, uma das marcas registradas do pianista, que demonstrava aos curiosos que de “tradicional” não tinha nada.
Foi no final da noite que a festa alcançou seu ponto máximo. Sem querer entregar o ouro de bandeja, Hancock escolheu, para depois de quase uma hora e meia de show, duas pérolas: “Cantaloupe Island”, do álbum Empyrean Isles (1964) e “Chameleon”, do Head Hunters (1973).

